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2020 - Estatísticas do Câncer

Atualizado em 08/06/2020



Introdução

O câncer é a segunda principal causa de morte nos EUA. Neste artigo, são fornecidos os números estimados de casos novos de câncer e mortes decorrentes, bem como uma visão abrangente da ocorrência de câncer com base nos dados atuais da população e o número total de mortes evitáveis em 2020.


Materiais e métodos Dados de incidência e mortalidade 

Os dados de mortalidade de 1930 a 2017 foram fornecidos pelo National Center for Health Statistics (NCHS). Dados de incidência de câncer foram coletados pelo National Cancer Institute’s Surveillance, Epidemiology, and End Results (SEER) desde 1973 e pelo Centers for Disease Control and Prevention’s (CDC/NPCR) desde 1995. 

O National American Association of Central Cancer Registries (NAACCR) compila e relata dados que abordam 100% da cobertura  populacional dos EUA nos últimos anos e foram a fonte para projeção de novos casos de câncer  e suas taxas de incidência por etnia para 2020.

Todos os casos de câncer foram classificados de acordo com o Classificação Internacional de Doenças para Oncologia, exceto câncer de infância e adolescência. As causas de morte foram classificadas de acordo com a Classificação Internacional de Doenças.

Todas as taxas de incidência e mortalidade foram padronizadas por idade para população padrão dos EUA de 2000 e expressa por 100.000 habitantes, assim como a variação percentual anual e o ajuste devido atrasos nos relatórios fornecidos (atraso na captura de caso ou correções de dados). 


Casos projetados de câncer e mortes em 2020

Devido ao tempo necessário para a coleta, controle de qualidade e disseminação dos dados, os anos mais recente de relato da incidência e da mortalidade do câncer são de 2 a 4 anos atrás. Portanto, o número de novos casos de câncer e mortes no Estados Unidos foram projetados para fornecer uma estimativa atual em 2020.

Para calcular o número de casos de câncer invasivo, utilizou-se dados do serviço de saúde, com ajuste de atraso, variações geográficas, fatores socio-demográficos e de estilo de vida, contextos médicos e comportamentais de rastreamento do câncer.

Novos casos de carcinoma ductal in situ do câncer de mama e de pele (melanoma) diagnosticados em 2020 foram estimados aproximando-se o número de casos/ano de 2007 a 2016, com base na faixa etária taxas de incidência, ajustados aos atrasos nos relatórios e projetados para 2020 com base na média de mudança percentual anual pelo SEER software.

A estimativa do número de mortes causadas pelo câncer em 2020 foi baseada na simulação realizada pelo software com dados reportados entre 2003 até 2017 pelo NCHS.


Outras Estatísticas

O número de mortes por câncer evitadas em homens e mulheres foi estimada somando a diferença entre o número anual e o número de mortes por câncer registradas a partir do número que teria se esperado se as taxas de mortalidade por câncer tivessem permanecido no auge. 

O número esperado de mortes foi estimado aplicando-se taxas de mortalidade por câncer específicas por sexo e idade em 5 anos no momento de pico para taxas de mortalidade à população com características correspondentes em idade e sexo nos anos subsequentes até 2017.


Resultados Selecionados

Número esperado de novos casos de câncer

Haverão aproximadamente 1.806.590 casos de câncer diagnosticados, o que equivale a aproximadamente 4.950 novos casos a cada dia. Além disso, haverão aproximadamente 48.530 novos casos de carcinoma ductal in situ da mama diagnosticados em mulheres e 95.710 novos casos de câncer de pele (melanoma) in situ.

Próstata, pulmão e câncer colorretal representam 43% de todos os casos em homens, sendo o câncer de próstata responsável por mais de 1 em cada 5 novos diagnósticos.

Para as mulheres, os três tipos de câncer mais comuns são mama, pulmão e colorretal, respondendo a 50% de todos os novos diagnósticos; o câncer de mama sozinho é responsável por 30% dos cânceres femininos. 

A probabilidade ao longo da vida de ser diagnosticada com câncer invasivo é um pouco maior nos homens (40,1%) do que nas mulheres (38,7%). As razões para o excesso de risco nos homens são não totalmente compreendidos, mas provavelmente refletem diferenças em exposições ambientais e hormônios endógenos, bem como interações complexas entre essas influências. A diferença entre gêneros varia de acordo com idade. Por exemplo, a incidência de câncer durante a infância (até 14 anos de idade) é aproximadamente 10% maior no sexo masculino, enquanto no início da idade adulta (20 a 49 anos) é 77% maior nas mulheres, em grande parte por causa da incidência de câncer de mama em mulheres jovens.


 Número esperado de mortes por câncer

Estima-se que 606.520 americanos morrerão de câncer em 2020, correspondendo a mais de 1.600 mortes por dia. O maior número de mortes será decorrente de câncer de pulmão, próstata e colorretal em homens e pulmão, mama e colorretal nas mulheres. Quase um quarto de todas mortes por câncer são devido ao câncer de pulmão. 


Tendências na incidência de câncer

Padrões de incidência de câncer refletem tendências de comportamentos associados ao risco de câncer e mudanças na prática médica, como o uso de exames de rastreamento. Por exemplo, o aumento na incidência de câncer em homens durante o início dos anos 90 reflete rápidas mudanças relacionadas ao câncer de próstata - taxas de prevalência devido a um aumento na detecção de doenças assintomáticas como resultado do antígeno específico da próstata generalizado (PSA). A taxa geral de incidência de câncer em homens caiu rapidamente de 2007 a 2014, mas estabilizou até 2016, refletindo a diminuição da incidência de câncer colorretal e estabilidade nas taxas de câncer de próstata. 

A taxa geral de incidência de câncer em mulheres permaneceu estável nas últimas décadas porque a queda na taxa de câncer de pulmão foi associada ​​a um declínio gradual na taxa de câncer colorretal e estabilidade ou ligeiro aumento dos demais cânceres. O ligeiro aumento nas taxas de incidência de câncer de mama (em aproximadamente 0,3% ao ano) desde 2004 foi atribuído, ao menos em parte, aos contínuos declínios na taxa de fertilidade, bem como aumento da obesidade. A incidência de câncer de tireoide tem se estabilizado após a implementação de práticas mais conservadoras em resposta ao aumento do diagnóstico de tumores indolentes nas últimas décadas.

A incidência de câncer de pulmão continua a diminuir duas vezes mais rápido nos homens e nas mulheres, refletindo diferenças históricas em relação ao tabaco. 

A taxa de cancer colorretal é semelhante em homens e mulheres, com o rápido declínio observado durante os anos 2000, devido uso da colonoscopia. Porém, identifica-se um aumento de câncer colorretal em adultos com menos de 55 anos de 2% ao ano desde meados dos anos 90. 

A incidência também continua a aumentar nos cânceres de rim, pâncreas, fígado e cavidade oral e faringe (entre brancos não hispânicos) e de pele (melanoma), embora o melanoma tenda a cair nas coortes de nascimentos recentes. 

O câncer de fígado está aumentando rapidamente e a maioria desses casos (71%) é potencialmente evitável pois a maioria dos fatores de risco para câncer de fígado são modificáveis ​​(por exemplo, obesidade, consumo excessivo de álcool, tabagismo e vírus da hepatite B e C). 


Sobrevida em pacientes com câncer 

A taxa de sobrevida relativa em 5 anos para todos os cânceres diagnosticados entre 2009 e 2015 foi de 67% no total, 68% em brancos e 62% em negros. A sobrevida é mais alta para o câncer de próstata (98%), de pele (melanoma) (92%) e câncer de mama feminino (90%) e menor para cânceres de pâncreas (9%), fígado (18%), pulmão (19%) e esôfago (20%). 

As taxas de sobrevivência são menores para pacientes negros do que para brancos para todos os tipos de câncer, exceto para os cânceres de rim e vias urinárias. Depois de ajustar para sexo, idade, e estágio no diagnóstico, o risco relativo de morte é 33% maior em pacientes negros do que em brancos. A disparidade é ainda maior para índios americanos / Nativos do Alasca, entre os quais o risco de morte por câncer é de 51% superior ao dos brancos. 

A sobrevivência ao câncer melhorou desde meados da década de 1970 para todos dos cânceres mais comuns, exceto colo uterino e útero. As taxas de sobrevivência estagnadas para esses tipos de câncer refletem a falta de grandes avanços no tratamento de pacientes com  doença recorrente e metastática. 

É provável que as taxas de sobrevida para câncer de mama e próstata foram aumentadas na era do rastreio devido detecção de cânceres indolentes na sua fase de lesões pré-malignas. 

Progresso de doenças malignas hematopoiéticas e linfóides tem sido particularmente rápido devido a melhorias nos protocolos de tratamento, incluindo o desenvolvimento de terapias direcionadas. 

As baixas taxas de sobrevida do câncer de pulmão refletem a grande parte dos pacientes (57%) com diagnóstico de doença em fase metastática, para a qual a sobrevida relativa em 5 anos é de 5%. Contudo, a taxa de sobrevida em 5 anos para doenças localizadas é de 57%, e existe o potencial para diagnósticos mais precoces entre aqueles de alto risco através do rastreamento com tomografia computadorizada de doses baixas, porém a tradução deste benefício para a população em geral permanece desafiador.


Tendências da mortalidade por câncer

 As taxas de mortalidade são o melhor indicador do progresso contra o câncer, porque são menos afetadas por vieses resultantes de mudanças nas práticas de detecção. A taxa de mortalidade por câncer aumentou durante a maior parte do século 20, em grande parte por causa de um rápido aumento nas mortes por câncer de pulmão entre os homens como consequência da epidemia do tabaco. No entanto, declínios no tabagismo, bem como melhorias na detecção e tratamento precoces, resultaram em um contínuo declínio na taxa de mortalidade. A queda geral de 29% a partir de 2017 (152,4 por 100.000 habitantes) se traduz em 2.902.200 menos mortes por câncer (1.983.000 em homens e 919.200 em mulheres). 

O número de mortes evitadas é maior para homens do que para mulheres. Durante a década mais recente de dados (2008-2017), a taxa de mortalidade diminuiu 1,5% ao ano para câncer enquanto permaneceu estável para outras causas de morte (doenças cardíacas, doença cerebrovascular e doença de Alzheimer). 

O progresso contra o câncer resulta em grandes quedas na mortalidade para os quatro principais cânceres (pulmão, mama, próstata e colorretal). Especificamente, a partir de 2017, a taxa de mortalidade diminuiu em 51% entre os homens (desde 1990) e 26% entre as mulheres (desde 2002); para câncer de mama feminino em 40% (desde 1989); para próstata câncer em 52% (desde 1993); e para colorretal em 53% entre homens (desde 1980) e 57% entre as mulheres (desde 1969). Duas décadas de declive (4% ao ano em média) no câncer de próstata são atribuídos a fase inicial do diagnóstico através do teste PSA, bem como avanços nos tratamentos.

As taxas de mortalidade aumentaram na última década para os cânceres de fígado, pâncreas (entre os homens) e corpo uterino, bem como para câncer de intestino delgado, ânus, pênis, cérebro e outro sistema nervoso, olho e órbita, e locais dentro do cavidade oral e faringe associada ao papilomavirus humano (HPV) .

Contudo, os aumentos rápidos na mortalidade por câncer de fígado parecem estar diminuindo em mulheres e estabilizando em homens.


Número de mortes registradas em 2017

Um total de 2.820.034 mortes foram registradas nos Estados Unidos em 2017, 21% dos quais eram de câncer. Em contraste a tendências estáveis ​​ou crescentes para as principais causas de morte, a taxa de mortalidade por câncer diminuiu 2,2% de 2016 a 2017, maior queda em um ano desde que as taxas começaram a declinar em 1992.

Esse progresso é impulsionado em grande parte pelos recentes declínios na mortalidade por câncer no pulmão. 

O câncer é a segunda principal causa de morte após doenças cardíacas em homens e mulheres nos Estados Unidos, mas é o principal causa de morte em alguns estados, entre hispânicos e asiáticos e em indivíduos com menos de 80 anos. Entre mulheres, o câncer é a primeira ou a segunda principal causa de morte para cada faixa etária, enquanto no sexo masculino causas externas predominam antes dos 40 anos.

Cérebro e outros tumores do sistema nervoso e leucemia são a primeira e a segunda principais causas morte por câncer entre homens com menos de 40 anos e mulheres com menos de 20 anos, enquanto o câncer de mama é a principal causa entre mulheres de 20 a 59 anos. O câncer de pulmão leva a morte homens com 40 anos ou mais e mulheres com idade

60 anos ou mais, causando 145.849 mortes totais em 2017, mais do que câncer de mama, próstata, colorretal e cerebral combinados.  Houve 17% mais mortes por câncer de pulmão em homens (78.694) do que em mulheres (67.155) em 2017, mas esse padrão é projetado para

reverter até 2045 se as tendências atuais do tabagismo continuarem. O câncer do colo do útero continua sendo a segunda principal causa morte por câncer em mulheres de 20 a 39 anos, causando 10 mortes prematuras por semana nessa faixa etária. 


Disparidades de ocorrências de câncer por raça / etnia, 

As desigualdades de riqueza em grande parte levam a diferenças nas exposições a fatores de risco e barreiras à prevenção do câncer de alta qualidade e detecção precoce. A incidência específica é maior em homens negros não-hispânicos (NHB); entre as mulheres, as brancas não-hispânicas (NHWs) têm a maior incidência, 8% maior que os NHBs (que ocupam o segundo lugar); no entanto, NHB mulheres têm as maiores taxas de mortalidade por câncer - 13% mais altas do que as das mulheres NHW. A disparidade de mortalidade entre homens é igual. Variação do estadio no câncer refletem diferenças nas práticas de detecção médica e

a prevalência de fatores de risco, como tabagismo, obesidade e outros comportamentos de saúde.

 A maior variação geográfica é para cânceres potencialmente evitáveis, como câncer de pulmão, câncer de colo do útero e de pele (melanoma). 


Câncer em crianças e adolescentes

O câncer é a segunda causa mais comum de morte entre crianças de 1 a 14 anos nos EUA, ultrapassada apenas por acidentes. Em 2020, cerca de 11.050 crianças adolescentes (do nascimento até 14 anos) e 5.800 adolescentes (15-19 anos) serão diagnosticados com câncer, e 1.190 e 540, respectivamente, morrerão da doença. A leucemia é o câncer infantil mais comum, contando em 28% dos casos, seguidos pelos tumores do sistema nervoso central (26%).

A taxa geral de incidência de câncer em crianças e adolescentes tem aumentado ligeiramente (0,7% ao ano) desde 1975 por razões que ainda não estão claras. Por outro lado, as taxas de mortalidade diminuíram continuamente por décadas, de 6,3 (por 100.000 hab) em crianças e 7,1 em adolescentes de 1970 a 2,0 e 2,7, respectivamente, em 2017, resultando em reduções de mortalidade geral de 68% em crianças e 63% em adolescentes.

Grande parte desse progresso reflete os declínios dramáticos na mortalidade de leucemia de 83% em crianças e 68% em adolescentes. A taxa de sobrevivência relativa de 5 anos para todos os cânceres melhorou de 58% durante meados da década de 1970 a 84% entre 2009 e 2015 para crianças e de 68% a 85% para os adolescentes. No entanto, a sobrevivência varia substancialmente por tipo de câncer e idade no diagnóstico.


Limitações

Embora o número estimado de novos casos de câncer e mortes previstas para 2020 forneçam um panorama razoável da carga contemporânea do câncer, são projeções baseadas em modelos, de 3 e 4 anos à frente, que devem ser interpretados com cautela. Primeiro, as estimativas podem estar afetadas por mudanças na metodologia à medida que aproveitamos de melhorias nas técnicas e na pesquisa de rastreio do câncer. Segundo, embora os modelos sejam robustos, eles só podem levar em conta as tendências mais recentes nos anos de dados (atualmente 2016 para incidência e 2017 para mortalidade) e não pode prever flutuações bruscas de câncer afetado por mudanças na prática de detecção (por exemplo, teste PSA e câncer de próstata). Terceiro, o modelo pode ser sensível a mudanças repentinas ou nos dados observados. 


Conclusões

O declínio contínuo da taxa de mortalidade por câncer desde 1991 resultou em uma queda geral de 29%, traduzindo-se em aproximadamente 2,9 milhões menos mortes por câncer. Esta constante deve-se em grande parte às reduções no tabagismo e declínio acentuado na mortalidade por câncer de pulmão. Contudo, a inovação de tratamentos também contribuiu para o declínio dessa taxa (imunoterapias e terapias direcionadas). No entanto, há tendência de queda para cânceres passíveis de detecção precoce por meio de rastreio (câncer de mama, próstata e colorretal), mantendo-se as disparidades geográficas/étnicas para cânceres altamente evitáveis (colo do útero e pulmão). 



Dra. Ariane Anacleto
Graduação e residência em GO pela PUC Campinas e atualmente residente em Mastologia pelo Hospital Israelita Albert Einstein