Nódulos benignos
O nódulo mamário é a queixa mais comum apresentada no consultório de um médico mastologista. Ele é, na verdade, qualquer tumoração presente nas glândulas mamárias.
O achado de nódulo palpável na mama ou no rastreamento mamográfico é fator de impacto emocional para a maioria das pacientes, em parte pelo maior acesso às informações e campanhas de conscientização sobre o câncer de mama. Entretanto, nem todo nódulo na mama é sinônimo de câncer de mama. Sempre que sentir ou visualizar um nódulo na mama o médico especialista deverá ser consultado.
Primeiramente, como saber se você apresenta um nódulo de mama? Nos dias atuais, não falamos mais em autoexame das mamas, e sim, autoconhecimento do seu corpo. Conhecer seu corpo e saber de suas marcas é imprescindível na busca de qualquer alteração mamária. Portanto, se conheça e sempre que necessário, busque ajuda médica.
A grande maioria dos casos de nódulo mamário é benigna, ou seja, não é composto por células cancerígenas. Esses casos decorrem, na sua maioria, de alterações hormonais ou do surgimento de cistos no tecido mamário. Os nódulos mamários benignos são responsáveis por até 80% das massas palpáveis nas mamas. Seu diagnóstico diferencial é amplo, envolvendo os cistos mamários, os fibroadenomas, os tumores filoides, os papilomas, os lipomas, os hamartomas e os adenomas, entre outros.
O fibroadenoma
O fibroadenoma é o mais comum dos nódulos benignos. Eles geralmente têm a consistência firme e podem ser móveis ao toque das mamas. São mais comuns em mulheres jovens, especialmente entre 20 e 30 anos de idade. É assintomático em 25% dos casos e com múltiplas lesões em 13 a 20%.
O diagnóstico é essencialmente clínico. Apresenta-se como tumor único ou múltiplo, móvel, bem delimitado, não fixo ao tecido adjacente, lobulado e de crescimento lento. Em alguns casos, o diagnóstico pode ser confirmado através de uma biópsia do nódulo. Em tumores menores, pode ser feito o acompanhamento clínico, com controle clínico e ecográfico semestral, sendo indicada a retirada nos casos de crescimento progressivo e ansiedade da paciente.
Outros nódulos benignos
Como a mama é normalmente constituída também por tecido adiposo, não é surpreendente que o lipoma seja relativamente frequente. Já o hamartoma é lesão pouco observada, com perfil mamográfico peculiar de lesão circunscrita contendo gordura. Apresenta-se como nódulo de dimensões variadas (1 a 20 cm), amolecido e móvel. Esta afecção tem margens bem definidas, mas não possui cápsula verdadeira É achado tipicamente benigno e não é obrigatória sua retirada.
Cisto simples é igual a nódulo de mama?
A resposta é não. Normalmente, os cistos mamários se assemelham a uma estrutura oval ou arredondada, com acúmulo de líquido em seu interior. Literalmente, podem ser chamados de “bolinhas de água”. Eles podem aparecer em uma ou em ambas as mamas, sendo dolorosos ou não. Em muitos casos, estão associados às alterações hormonais da chegada da menopausa.
Avaliação do nódulo
Sempre que notar um nódulo mamário, o médico mastologista deverá ser consultado. Somente ele poderá confirmar o diagnóstico e descartar outras condições. O acompanhamento médico regular e a realização de exames de imagem, como mamografia e ultrassonografias, são importantes para monitorar quaisquer mudanças no nódulo benigno da mama ao longo do tempo.
Idealmente, durante a consulta com o mastologista será realizada uma anamnese, ou seja, uma entrevista detalhada das condições da paciente. O exame físico é primordial para um bom diagnóstico e exames de imagem também trarão seu valor . Com tudo isso, a paciente poderá ser tranquilizada sobre o seguimento do nódulo ou a necessidade de biópsia com posterior ou não remoção do nódulo.
Enfim, independente de suas características, todo nódulo deverá ser avaliado por um médico especialista que seja capaz de assegurar diagnóstico e terapêutica adequados para cada paciente.
Mastologista
Membro da Comissão de Amamentação e Doenças Benignas da SBM-SP
Dor nas mamas
A mastalgia, mais conhecida como dor nas mamas, é um sintoma muito comum apresentado pelas mulheres na consulta com o médico Mastologista.
Cerca de 60-70% das mulheres poderão apresentar esse sintoma ao longo da vida reprodutiva. Normalmente, não trará consequências significativas, mas 10-20% dessas mulheres poderão apresentar a mastalgia mais severa, trazendo alterações na qualidade de vida.
Essa dor pode surgir em qualquer fase da vida de uma mulher, desde a infância até a melhor idade. Geralmente, acontece devido a alterações hormonais , como aquelas que ocorrem durante o ciclo menstrual, gravidez ou menopausa, e não traz grande preocupação.
No entanto, sempre que possível , o caso deverá ser avaliado mais precisamente por um médico especialista: o Mastologista. O médico , através de uma consulta, poderá realizar uma anamnese detalhada, examinar a paciente e conferir exames de imagem, caso a paciente os tenham. Com essa consulta, o médico poderá tranquilizar a paciente ou prosseguir com investigação.
Classificação da dor nas mamas
A mastalgia, ou dor nas mamas, apresenta uma classificação didática em relação a sua causa. Costumamos denominar de Mastalgia cíclica, Mastalgia acíclica e dor de origem extra-mamária.
A Mastalgia cíclica, como o próprio nome diz, associa-se ao ciclo menstrual , ou seja, ocorre em ciclos , em geral uma semana antes do período menstrual e tende a permanecer até o primeiro dia da menstruação. É a forma mais comum apresentada pelas mulheres. É comum, nesse período, as duas mamas ficarem mais sensíveis e doloridas, difusamente. Isso pode ocorrer pelo aumento dos níveis de estrogênio e progesterona, sendo uma alteração benigna.
Já a Mastalgia acíclica costuma ser unilateral e tem localização precisa. É mais frequente em mulheres no climatério, ou seja, próximas da menopausa ou até mesmo depois da menopausa. Pode ser decorrente de inflamações nas mamas, conhecidas como mastites, traumas, uso de alguns medicamentos, cistos mamários de grande volume ou até mamas muito volumosas.
E há também a dor extra-mamária que pode acometer as mulheres. É oriunda de dor em regiões próximas das mamas, fazendo com que ela pareça estar localizada na mama. A etiologia mais comum deste tipo de dor é osteomuscular. Entretanto, deve ser devidamente avaliada, pois pode estar relacionado a problemas musculares, traumas e até mesmo doenças cardiovasculares.
Tratamento
O tratamento da dor nas mamas pode variar dependendo da causa subjacente e da gravidade dos sintomas apresentados pela paciente. A maioria dos casos não há necessidade de tratamentos medicamentosos, já que uma consulta com o mastologista pode ser muito tranquilizadora para o paciente. Em geral, medidas simples e mudanças de hábitos de vida podem ser adotadas como tratamento.
As medidas comportamentais fazem parto do que chamamos de tratamento não medicamentoso. Algumas dessas medidas serão listadas a seguir:
Já o tratamento medicamentoso, pode incluir o uso de pomadas anti-inflamatórias nos períodos de maior dor, ou até mesmo medicamentos de uso oral com ação anti-inflamatória. O uso de tamoxifeno também poderá trazer benefício em casos selecionados. Entretanto, para um tratamento adequado o médico deverá ser consultado, visto que cada paciente é única.
Apesar de muitas pacientes usarem vitaminas e óleos minerais como meio de tratamento, ainda não há nenhum estudo científico robusto que comprove a eficácia desses métodos. É importante ressaltar que é fundamental buscar orientação médica para avaliação adequada e determinação do melhor plano terapêutico para a situação específica apresentada pela paciente.
Mastologista
Membro da Comissão de Amamentação e Doenças Benignas da SBM-SP
IMUNOTERAPIA
A imunoterapia é um tipo de tratamento sistêmico que usa medicações capazes de ativar ou aumentar a ação do sistema imunológico, melhorando a capacidade do seu organismo em reconhecer e atacar as células do câncer.
A imunoterapia compreende várias medicações e algumas são efetivas no tratamento do câncer de mama. Elas podem ser usadas isoladamente ou em combinação com outras medicações.
Atualmente seu benefício é restrito ao câncer de mama triplo negativo – aquele que apresenta receptores de estrogênio negativo, receptor de progesterona negativo e HER2 negativo – já que esse é o subtipo dentre os tumores de mama com maior habilidade de provocar a ativação do sistema imunológico.
A medicação chamada pembrolizumabe pode ser usada em combinação com a quimioterapia nessas pacientes de alto risco. Ele é um inibidor de “check-point”, ou seja, atua inibindo uma proteína (PD-1) que impede que as células do sistema imune reconheçam e ataquem o tumor. Com essa inibição, as células imunológicas ficam livres para combater as células tumorais.
O pembrolizumabe deve ser utilizado inicialmente antes da cirurgia em associação com a quimioterapia (chamada de neoadjuvante). Ele é administrado pela veia a cada três semanas no mesmo momento da quimioterapia e deve ser mantido após a cirurgia até completar um ano de tratamento.
Essa medicação aumentou as chances do tumor reduzir de tamanho significativamente antes da cirurgia e reduziu o risco do câncer de mama voltar após o término do tratamento.
Devido ao seu mecanismo de ação, os principais efeitos colaterais estão relacionados à ativação do sistema imune, com a inflamação e comprometimento de diversos órgãos, como: pulmão, tireoide, intestino, rins, fígado, entre outros. A equipe médica deve ser comunicada em caso de eventos adversos para que possa orientar adequadamente.
Atualmente, a imunoterapia no câncer de mama está aprovada somente para o tratamento do câncer de mama triplo-negativo no cenário neoadjuvante, mas outros estudos ainda estão em andamento para avaliar seu benefício em outros cenários, o que aumentaria as pacientes que poderiam receber essa modalidade terapêutica.
Mastologista
Membro da Comissão de Tratamento Sistêmico da SBM-SP
TERAPIA-ALVO
As células do câncer utilizam alguns mecanismos biológicos para ter um benefício sobre as células normais que temos em nosso corpo. Com isso, elas adquirem a capacidade de crescerem de forma independente e de migrarem para outras partes do organismo, um evento que chamamos de metástase. As terapias-alvo tem como objetivo utilizar drogas que agem bloqueando especificamente esses mecanismos, reduzindo ou eliminando a capacidade de replicação e metástase que as células tumorais adquiriram.
Quais são as terapias-alvo disponíveis para o tratamento do câncer de mama?
Um grande número de medicamentos considerados como terapia-alvo para o câncer já foi desenvolvido. No caso do câncer de mama, a terapia endócrina ou terapia hormonal foi o primeiro tratamento a ser disponibilizado que é direcionado a um alvo específico. Informações sobre o tratamento hormonal estão disponíveis em uma seção à parte (Terapia hormonal no câncer de mama).
Com o melhor conhecimento dos mecanismos moleculares envolvidos na doença, alguns novos alvos foram identificados. Atualmente, além do bloqueio hormonal, existem outras terapias-alvo para o câncer de mama e, dependendo de uma série de fatores relacionados com o estágio da doença e das características moleculares do tumor, pode ser que o paciente tenha benefício do uso dessas medicações. A seguir, vamos listar os alvos específicos e as principais terapias disponíveis para cada situação, considerando o câncer de mama inicial (não-metastático):
Outros alvos são importantes, com medicamentos já aprovados para serem usados em situações específicas no câncer de mama metastático ou avançado:
As terapias-alvos pertencem a uma nova classe de medicamentos contra o câncer que possibilitam tratamentos mais dirigidos ao atuar em pontos específicos do tumor. Vários tratamentos já aprovados para o câncer de mama metastático estão em estudo para o câncer de mama inicial, possivelmente aumentando essa lista em breve, e contribuindo para menos recorrências de câncer no futuro.
Mastologista
Membro da Comissão de Tratamento Sistêmico da SBM-SP