Vc sente se idoso ou idosa?

Vc sente se idoso ou idosa?

Vc sente se idoso ou idosa?

Não.

Esta foi a resposta em quase  70 % dos idosos (as) que foram entrevistados (as) em uma pesquisa de opinião pública em parceria com o SESI divulgada em 2020. Isso reflete que nossa população está envelhecendo de maneira ativa e muito consciente. Mais do  que um sentimento, a disponibilidade física e mental deve ser levada em consideração quando pensamos nos tratamentos  das doenças oncológicas principalmente. Com câncer de mama não é diferente.

São previstos mais de 75 mil novos casos de Câncer de mama para este ano no Brasil (Fonte: INCA) e a maioria dos diagnósticos realizados após os 55 anos. Em uma população ativa e saudável, independentemente da idade, devemos oferecer as mesmas ferramentas de tratamento que oferecemos para as mulheres mais jovens e esperamos também os mesmos resultados. Já para as pacientes mais frágeis ou com mais doenças associadas devemos realizar uma avaliação multiprofissional para as definições dos tratamentos.

A Avaliação Funcional Global leva em consideração as condições físicas, nutricionais, mentais e até mesmo sociais, é realizada por uma Equipe contendo Oncogeriatra, Nutricionista, Fisioterapeuta, Psicologo  e Mastologista. Essa avaliação é primordial  para o tratamento sempre envolvendo a paciente e familiares nas decisões. O objetivo maior é viver bem e com qualidade mantendo nossa pacientes ativas e capazes.

Autor(a)

Evandro Fallaci

Mastologista

Sócio da SBM-SP

O câncer de mama em jovens

Nas últimas décadas o câncer de mama tem aumento de sua incidência em mulheres jovens, abaixo dos 40 anos de idade e, infelizmente, ainda apresenta elevadas taxas de mortalidade nesta faixa etária.

A paciente jovem apresenta com maior frequência diagnóstico do câncer de mama em estádio mais avançado do que em mulheres de maior faixa etária, tem mais tumores que não expressam receptores de hormônios (estrogênio e progesterona), que tem mais superexpressão do oncogene HER-2 e maior proliferação tumoral.

Desta forma, é fundamental que a equipe de saúde (médicos, enfermeiros, agentes de saúde) seja atualizada com informações sobre a importância do câncer da mama nesta população jovem, como o objetivo de possibilitar a suspeita da doença de forma precoce e então possibilitar a chegada da paciente de forma mais rápida ao mastologista.

O mastologista através de exames de imagem (mamografia e ultrassonografia das mamas) e biópsia do tumor conseguirá proporcionar à paciente um planejamento da melhor estratégia de tratamento que poderá resultar em maiores índices de cura: tratamos a paciente jovem com maior frequência com quimioterapia e hormonioterapia estendida (com 10 anos de duração).

A assistência à mulher jovem com câncer de mama engloba necessidades de tratamento semelhantes às mulheres de outras faixas etárias como cuidados para manutenção de sua saúde mental (diminuir a ansiedade e depressão), de seus relacionamentos sociais (familiares, ambiente de trabalho e amigos), de sua imagem corporal (proporcionando acesso a reconstrução mamária quando houver necessidade) e de sua vida sexual.

No entanto, outros cuidados adicionais devem ser lembrados ao darmos assistência à mulher jovem que trata o câncer de mama:  a avaliação de ser portadora de mutação genética hereditária que aumenta o risco de desenvolver o câncer de mama e a possibilidade da menopausa precoce secundária ao tratamento com quimioterapia e seu desejo de ser mãe. Devemos lembrar de dar acesso à paciente ao congelamento de óvulos ou de embriões antes de iniciar a quimioterapia, com o objetivo de aumentar sua chance de ficar grávida após o tratamento e do câncer ter sido controlado, possibilitando que ela tenha uma gravidez segura se esse for seu desejo.

A identificação de pacientes portadoras de mutação genética hereditária com câncer de mama possibilita adequar as estratégias do tratamento cirúrgico (realização de mastectomia e mastectomia profilática contralateral) e sistêmico (com utilização de quimioterapias e terapias-alvo específicas).

É o diagnóstico precoce do tumor e a adequação do tratamento cirúrgico e sistêmico que possibilitarão que as mulheres jovens nas próximas décadas tenham queda da mortalidade por câncer de mama, semelhante ao que observamos nas pacientes de maior faixa etária, vivendo mais e com qualidade de vida.

Câncer de mama na mulher jovem

  • Importância do diagnóstico precoce
  • Suspeitar de mutação genética hereditária para câncer de mama
  • Adequar o tratamento cirúrgico e sistêmico (quimioterapia, hormonioterapia, terapia- alvo) às características do tumor e à faixa etária
  • Lembrar da preservação de fertilidade se for desejo da mulher ser mãe após o tratamento do câncer de mama
  • Possibilitar qualidade de vida pós-tratamento do câncer da mama: saúde mental, vida social, relacionamentos pessoais e vida sexual
Autor(a)

Adriana Akemi Yoshimura

Mastologista

Membro da Comissão de Residência da SBM-SP

Enxoval da Amamentação

O enxoval da amamentação não é obrigatório, mas algumas peças ajudam no sucesso

do aleitamento materno.

– Boa consultora de amamentação e pediatras pró amamentação: profissionais especializados que possam auxiliar nesse momento;

– Sutiã de amamentação: Os sutiãs da lactante devem ser confortáveis e permitir que a pele respire (preferir os de algodão, sem aro ou bojo, boa sustentação e sem tecido na

sua porção frontal evitando garrotear o fluxo de leite);

– Rosquinhas de amamentação: protege o mamilo do atrito com o sutiã ajudando na cicatrização de fissuras

Outros itens que podem ser adquiridos:

–  Almofada de amamentação: pode ajudar a manter uma boa postura e a não sentir dores nos braços e nas costas;

– Sling: é um acessório que dá liberdade à mãe, ao mesmo tempo que traz aconchego para o bebê;

As chupetas, mamadeiras, intermediários de silicones ou outros bicos artificiais não fazem parte do enxoval e podem ser fatores que colaboram para redução na produção de leite e desmame precoce. Podemos utilizar colher dosadora ou copinho para oferecer leite ao bebê.

A Bomba de Leite elétrica pode ser alugada ou comprada caso a paciente não goste de fazer ordenha manual. É fundamental o tamanho adequado do acoplador para evitar lesões mamárias. As bombas manuais não são recomendadas. Os saquinhos ou potes para armazenamento de leite também podem ser adquiridos para estoque de leite materno, nos casos de retorno ao trabalho ou ausência da mãe em períodos específicos.

EVITAR: conchas de amamentação, absorventes para amamentação, bicos, mamadeiras e pomadas sem indicação médica.

Autor(a)

Juliana Lima

Mastologista

Membro da Comissão de Amamentação e Doenças Benignas da SBM-SP

CUIDADOS INTEGRADOS NO TRATAMENTO DO CÂNCER DE MAMA

Comissão Projetos Sociais SBM SP

O QUE SÃO CUIDADOS INTEGRADOS?

Os cuidados integrados são uma abordagem integral, envolvendo aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais no tratamento de pacientes portadoras de câncer de mama, visando não apenas a doença em si, mas uma gestão ativa e contínua do bem-estar da paciente em todas as suas dimensões: mente, corpo e espírito.

QUAIS OS SEUS OBJETIVOS?

O diagnóstico de um câncer de mama causa um profundo impacto na vida de uma mulher. O processo do adoecimento, o tratamento a ser realizado e o medo da morte geram sofrimentos e angústias diante do caminho desconhecido que irá ser percorrido. O sofrimento decorrente da doença é uma manifestação absoluta da individualidade de cada um, pois em cada ser humano a doença se manifesta de forma única. Mesmo que se conheça bem os sinais e sintomas de uma doença, a interação dela com o paciente possui uma marca pessoal e intransferível. Enxergando a paciente como um ser multidimensional, composto de corpo físico, mente, vida social e espiritual, o sofrimento se apresenta no corpo físico e nas demais dimensões.

Os cuidados integrados abordam não apenas a doença, mas promove o bem-estar físico, emocional, social e espiritual da paciente, para que possa ter apoio e se fortalecer em sua jornada desde o diagnóstico até a recuperação.

COMO PROPORCIONAR OS CUIDADOS INTEGRADOS?

Através de uma equipe multidisciplinar composta de mastologista, oncologistas, radioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, fisioterapeutas e assistentes espirituais, que estão envolvidos em proporcionar bem-estar a paciente e seus familiares.

O paciente deve ter participação ativa em seu tratamento com a prática do autocuidado.

O QUE É AUTOCUIDADO?

O câncer exige que o seu portador passe por mecanismos de adaptação a uma nova realidade, diante das consequências e limitações do processo do adoecimento, e ressignifique a sua existência, estabelecendo um novo modo de viver. Ater-se à temporariedade dos eventos e buscar a resistência para manter quem se é e continuar a luta são atitudes que ajudam.

A experiência pode ser fortalecedora quando se encontra sentido nas situações vividas. Ao cuidar não apenas do seu corpo, mas também da sua mente, conexões sociais e espiritualidade, se fortalece a resiliência e a qualidade de vida durante este período desafiador. A prática de hábitos de vida saudáveis ajuda nos efeitos do tratamento, na prevenção de recidivas e na maior chance de cura.

PRATICAR:

 

LEMBRAR :

BIBLIOGRAFIA

1-NCCN Guidleines for patients.Palliative Care 2023

2-GUEDES, Maria Assunção de Azevedo. Interfaces entre a Filosofia do Cuidado de Si e os Cuidados Paliativos. Orientador: Rodrigo Barbosa Mugnai Lopes. 2023. 110 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente, 2023.

3- ARANTES, Ana Cláudia. Saúde integral : A medicina do corpo e da mente e o papel da espiritualidade./Paulo Bloise, organizador- São Paulo : Editora Senac São Paulo, 2011

4- KOENIG, H. Spirituality in Patient Care. Why, How, When and What. Templeton foudation press. [S.I.], 2005.

5- WHO. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Expert Committee on Cancer Pain Relief and Active Supportive Care & World Health Organization: cancer pain relief and palliative care: report of a WHO expert committee [meeting held in Geneva from 3 to 10 July 1989]. 1990. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/39524/WHO_TRS_804.pdf?sequenc e=1&isAllowed=y. Acesso em :22 jul. 2021.

6- ZILLI, F.; OLIVEIRA, S. G. Pacientes com doença oncológica avançada e o cuidado de si a partir das relações interpessoais. Revista Contexto & Saúde, [S. l.], v. 20, n. 40, p. 259–266, 2020. DOI: 10.21527/2176-7114.2020.40.259-266. Disponível em: https://www.revistas.unijui.edu.br/index.php/contextoesaude/article/view/10377. Acesso em: 19 nov. 2022.

Autor(a)

Maria Assunção de Azevedo Guedes

Mastologista

Membro da Comissão de Projetos Sociais da SBM-SP