Reconstrução mamária

Reconstrução mamária

Reconstrução mamária

Reconstrução mamária / Oncoplastia

É um conjunto de técnicas cirúrgicas que visa o tratamento do câncer de mama e a restituição simultânea da forma e simetria mamária, podendo assim ser aplicada às cirurgias radicais ou conservadoras.

Tipos de reconstrução:

  • Técnicas que usam o próprio tecido da mama
  • Técnicas que utilizam próteses e expansores
  • Técnicas que utilizam tecido de outras partes do corpo como músculos do dorso e do abdome ou preenchimento com gordura

Complicações cirúrgicas da cirurgia mamária

As principais complicações da cirurgia mamária são:

  • Hematoma: consiste em acúmulo da sangue dentro de uma cavidade, geralmente no local da cirurgia
  • Seroma: consiste em acúmulo de líquido seroso claro no local da cirurgia
  • Infecção: geralmente causada por bactérias da própria pele que causam inchaço vermelhidão dor e saída de pus no local operado
  • Deiscência: quando há perda da tensão e abertura dos pontos de sutura na ferida operatória
  • Necrose: significa que há morte do tecido por falta de suprimento sanguíneo levando à escurecimento e perda completa da integridade da pele ou parte da mama
Autor(a)

Luca Rinaldi

Mastologista

Membro da Comissão de Tratamento Locorregional da SBM-SP

Qual é o melhor tipo de cirurgia para cada paciente?

Qual é o melhor tipo de cirurgia para cada paciente?

Esta decisão, onde a paciente deve participar na escolha do seu tratamento, deve ser analisada através dos exames de imagem (mamografia, ultrassom das mamas ) e caso seja necessário a ressonância magnética das mamas. A finalidade é avaliar se a lesão está restrita a uma área ou setor da mama ou se existem outras áreas suspeitas que necessitam ser removidas.

Após a biópsia da área suspeita o resultado anátomo-patológico nos orienta se o tumor é um carcinoma in situ, aquele que não ultrapassou a parede do ducto, ou se é invasor, que rompeu a parede do ducto. relembrando, o câncer é o crescimento das células que estão no interior dos canais (ductos) que transportam o leite, e quando está células se tornam diferentes daquelas que normalmente temos, é o câncer. No carcinoma ductal in situ a cirurgia pode ser conservadora (setorectomia ou quadrantectomia) onde a área suspeita é retirada com margem (ausência de células doentes) distando pelo menos 2 mm do câncer.

Importante lembrar sempre o desejo da paciente, a relação do tamanho do tumor e tamanho da mama e subsequente necessidade de complementar o tratamento local com as aplicações de radioterapia, caso não seja possível a preservação da mama (doença extensa na mama, desejo da paciente, ou após a primeira cirurgia conservadora) onde não foi possível a obtenção de margens livres, avaliado no estudo detalhado da peça pelo patologista, a mastectomia.

A mastectomia ou retirada da mama pode ser com preservação da pele,  com ou sem a preservação da aréola e mamilo, e com a reparação ou reconstrução imediata da mama no carcinoma ductal in situ como o risco de comprometimento dos gânglios axilares são menores de 3%, a necessidade de pesquisa do linfonodo axilar através da pesquisa do gânglio chamado de sentinela, não se faz necessária. Nos casos de retirada total da mama geralmente a realização da pesquisa do linfonodo se faz necessária, pelo risco de encontrar um carcinoma invasor.

Carcinoma invasor da mama antes ou depois do tratamento sistêmico

No carcinoma invasor a cirurgia pode ser também o ataque inicial ao câncer, tudo depende do conhecimento do tipo de tumor. Iniciamos então avaliando a fase da doença que se chama estadiamento.

No estadiamento vemos o tamanho do tumor (T), se existe comprometimento de gânglios axilares (N) ou presença de doença em outros locais do corpo (M= metástase, que pode ocorrer  em pulmão , osso e fígado), temos então o TNM e categorizamos em estádios (fases) que vão de 0 (in situ) a 4 (doença metastática).

Após o exame clínico, avaliando os exames de imagem (mamografia sempre) e exames complementares se necessários, é efetuada uma biópsia que pode ser  biópsia de fragmento ou core – biópsia, onde fragmentos do tumor são analisados ou biópsia a vácuo (mamotomia), para podermos definir o melhor tratamento e sequência.

O tipo de tumor mais frequente ou sem outra especificação  é o carcinoma ductal invasivo ( 80/ 90% dos tumores de mama) seguido pelo subtipo lobular (no local onde se produz o leite). A decisão não é somente baseada neste resultado onde a melhor definição é após a avaliação das características dadas por fatores conhecidos como prognóstico e que predizem a evolução e resposta ao tratamento.

Atualmente os fatores que nos fazem decidir qual a melhor sequência, ou seja, se iniciamos pela quimioterapia ou pela cirurgia, são somados ao tamanho do tumor, o estadiamento clínico citado anteriormente, e dada pelo estudo imunoistoquímico (técnica onde as células do tumor vão ser avaliadas para a pesquisa da presença de receptores que podem fazer a célula tumoral crescer).

São avaliados então : Receptores para estrógeno, receptor para progesterona, a presença de uma proteína chamada HER2 na superfície da célula tumoral  e o índice de proliferação celular chamado Ki67, com base nestes resultados a doença passa a ser classificada então como uma doença luminal (onde se expressam geralmente os receptores para estrógeno e receptor de progesterona) onde em tumores iniciais a cirurgia é o ataque inicial, este subtipo é por volta de 70% dos tumores de mama.

Os outros subtipos os tumores que não expressam receptores para estrógeno, receptor para progesterona e a proteína HER2, chamados tumores triplo negativos, o tratamento em tumores maiores de 1 a 1,5 cm no início, se faz com tratamento sistêmico (quimioterapia), pois estes tumores são sensíveis a este tratamento, nos dando informações importantes sobre a resposta e sequência de medicamentos que podemos usar.

Outra indicação para tratamento sistêmico antes da cirurgia são nos tumores HER2 positivos maiores de 2 cm. Concluindo a importância de conhecer todos os fatores para decisão da conduta.

Autor(a)

Maria do Socorro

Mastologista

Membro da Comissão de Tratamento Locorregional da SBM-SP

Cirurgia do Câncer de Mama

Cirurgia do Câncer de Mama

OBJETIVO:

A cirurgia é o principal tratamento para o câncer de mama e consiste na retirada do tumor do corpo. O objetivo é a retirada completa da lesão, com margens livres, ou seja, presença de tecido de mama normal ao redor do tumor. A avaliação do médico patologista é imporantante, pois ele avalia a presença de doença microscópica, e em casos de margens positivas, a ampliação da cirurgia pode ser necessária.

CIRURGIA ANTES OU DEPOIS DA QUIMIOTERAPIA

A cirurgia pode ser realizada antes do tratamento sistêmico, como primeira abordagem do tratamento, ou depois do tratamento sistêmico, conhecido como quimioterapia neoadjuvante. A definição da ordem de tratamento depende de fatores como estágio da doença (tamanho do tumor, comprometimento de linfonodos) e subtipo de câncer de mama (tumores triplo-negativo e Her-2 normalmente). A quimioterapia neoadjuvante tem como principal a redução do tamanho da lesão para que uma cirurgia possa ser realizada após. Outras benefícios de tratamento neoadjuvante são avaliação de resposta ao tratamento e possibilidade de uso de outras medicações em casos de não haver resposta completa.

TIPOS DE CIRURGIA:

Existem basicamente dois tipos de cirurgia da mama: a cirurgia conservadora (retirada do tumor e preservação do restante da mama) e a mastectomia (retirada de toda mama). A reconstrução mamária (ou cirurgia oncoplástica) é um direito da paciente assegurado por lei e é realizada para adequado resultado e melhora da auto-estima da paciente, sempre que não tiver contra-indicação.

CIRURGIA CONSERVADORA

A cirurgia conservadora também é conhecida como quadrantectomia ou setorectomia. Consiste na retirada do tumor com margens de segurança, ou seja, retirada completa do câncer, mas sem necessidade de retirada total da mama. A indicação de cirurgia conservadora depende da relação do tamanho do tumor e tamanho da mama. A radioterapia é sempre indicada após a cirurgia conservadora, para reduzir o risco de recidiva da doença.

A cirurgia conservadora deve ser a opção de escolha do tratamento cirúrgico do câncer de mama, sempre que possível. Temos dados seguros de que a cirurgia conservadora seguida de radioterapia tem as mesmas chances  de cura e segurança oncológica do que a mastectomia, com menos morbidade e adequado resultado estético para a paciente.

Em tumores maiores podemos usar técnicas de cirurgia oncoplástica, para  obtenção de melhores resultados estéticos.

MASTECTOMIA

A mastectomia consiste na retirada completa da mama. Indicada quando a cirurgia conservadora não é possível, como em mamas pequenas, tumores maiores ou pacientes que não podem realizar radioterapia após.

Existem diferentes tipos de mastectomia e a indicação também depende de vários fatores, como tamanho do tumor, envolvimente de pele e tipo de mama.

Mastectomia radical: envolve a retirada de pele, aréola e mamilo.

Mastectomia preservadora de pele (Skin reducing mastctomy): envolve a retirada da aréola e mamilo, mas com preservação da pele.

Mastectomia com preservação de pele, aréola e mamilo (adenomastectomia, adenectomia ou niplle-sparing mastectomy): envolve a preservação de pele, aréola e mamilo, com retirada apenas da glândula mamária. Geralmente fornecem resultados estéticos mais satisfatórios.

Sempre que possível, e se não houver contra-indicação, a reconstrução mamária deve ser realizada, de forma imediata ou tardia.

CIRURGIA DA AXILA

A cirurgia da axila normalmente é indicada em casos de câncer de mama e envolve a retirada de linfonodos.

Biópsia de Linfonodo sentinela: envolve a retirada durante a cirurgia do primeiro linfonodo que recebe a drenagem da mama. Tem o objetivo de avaliar se alguma célula do tumor acometeu os linfonodos. Com isso, consegue-se informação adicional para definir tipo de tratamento sistêmico. A marcação do linfonodo pode ser feita com rádio fármaco (tecnesio, antes da cirurgia) ou corante (azul patente, durante a cirurgia).

Dissecção axilar: também chamada de linfonodectomia ou esvaziamento ailar, envolve a retirada de um número maior de linfonodos axilares, pelo menos 6 a 10 linfonodos ou mais. Realizada com há comprometimento extenso. Atualmente, a dissecção axilar é feita para a minoria dos casos, mas ains tem suas indicações. Importante realizar fisioterapia no pós-operatório para evitarmos sequelas indesejadas, principalmente o lifedema, que é o inchaço do braço.

Autor(a)

Fernanda Barbosa

Mastologista

Coordenadora da Comissão de Tratamento Locorregional da SBM-SP

Principais Modalidades de Tratamento para o Câncer de Mama

Principais Modalidades de Tratamento para o Câncer de Mama

Introdução

Existem diferentes formas de tratar o câncer de mama e as modalidades utilizadas podem variar de acordo com a gravidade do tumor, o estágio da doença e as características da paciente. É importante ressaltar que cada caso de câncer de mama é único, e o tratamento é planejado individualmente pela equipe médica. Para criar uma estratégia de tratamento uma variedade de exames e avaliações são necessários para entender qual o tipo de câncer e a sua extensão. Alguns dos exames comumente realizados incluem:

  1. Mamografia, ultrassonografia e ressonância nuclear magnética das mamas. Estes exames de imagem ajudam a avaliar o tamanho do tumor na mama e nos linfonodos axilares.
  2. Biópsia: é o procedimento no qual uma amostra do tumor é retirada para análise. Esse exame permite confirmar o diagnóstico de câncer de mama e fornece informações sobre o comportamento da doença e quais tratamentos ela pode responder. Por exemplo, a presença de receptores hormonais (estrógeno e progesterona) indica que o tumor pode ser sensível à terapia hormonal.  Enquanto a expressão do receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (Her2) pode indicar a necessidade de terapia alvo.
  3. Outros exames podem ser necessários para avaliar se houve disseminação do câncer para outras partes do corpo (metástases), como ossos, pulmão e fígado. Por exemplo a Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) combinada com a Tomografia Computadorizada (CT), este exame permite avaliar o metabolismo das células cancerígenas e sua disseminação pelo corpo.
  4. Testes e aconselhamento genético: aproximadamente 1 entre cada 10 cânceres de mama são hereditários. Dependendo da história familiar ou de algumas características tumorais o médico pode solicitar um painel genético hereditário para entender melhor a doença.

Esses são apenas alguns exemplos de exames que podem ser realizados durante a avaliação inicial e ao longo do tratamento do câncer de mama. Cada paciente e caso são únicos, então os exames específicos podem variar dependendo das características individuais da doença e das necessidades do paciente. É fundamental que a paciente converse com sua equipe médica para entender quais exames são necessários em seu caso específico.

Com todas estas informações se determina o Estadiamento clínico, que é um sistema criado pela American Joint Committee of Cancer, (AJCC) para determinar o quanto o câncer está presente no corpo, onde está localizado e qual o subtipo. É uma forma de descrever a extensão da doença quando foi diagnosticada e assim guiar as opções de tratamento.

As principais opções/modalidades de tratamento são:

  1. Cirurgia: é geralmente o primeiro passo no tratamento do câncer de mama. Ela pode envolver a remoção de parte da mama, conhecida como setorectomia ou quadrantectomia, ou a remoção completa da mama, chamada mastectomia. Em alguns casos, também pode ser necessária a remoção dos linfonodos próximos à mama.
  2. Radioterapia:  envolve o uso de radiação para destruir as células cancerígenas remanescentes após a cirurgia, ou para reduzir o tamanho do tumor antes da cirurgia. Este tratamento utiliza feixes de radiação direcionados à mama e/ou axila.
  3. Quimioterapia: é um tratamento sistêmico que utiliza medicamentos para destruir as células cancerígenas em todo o corpo. É indicada quando há risco de a doença se espalhar para outras partes do corpo, chamada metástases. Geralmente, é administrada por meio de comprimidos ou injeções.
  4. Terapia hormonal: Esta forma de tratamento envolve a utilização de medicamentos que bloqueiam os hormônios responsáveis pelo crescimento do câncer de mama. É mais comumente recomendada para pacientes com tumores que são sensíveis a hormônios, como estrogênio e progesterona.
  5. Terapia alvo direcionada: é um tipo de tratamento que utiliza medicamentos específicos para atacar as células cancerígenas de forma mais direcionada. Esses medicamentos costumam ser recomendados para pacientes com tumores que expressam alvos moleculares específicos.

A combinação de diferentes modalidades de tratamento pode ser necessária, dependendo do estágio e das características específicas do tumor. Outros fatores importantes que podem interferir ou direcionar o tratamento são as condições emocionais e clínicas, avaliada através de escalas que mede a capacidade funcional, desempenho e nível de atividade do individuo. É essencial que a paciente e sua família estejam em contato próximo com a equipe médica para tomar decisões e receber o suporte necessário durante todo o processo de tratamento.

NCCN patient guideline Version 1.2023 Invasive Breast Cancer.

American Cancer Society. Breast Cancer: Diagnosis. Disponível em: Https://www.cancer.org/cancer/breast-cancer.html

National Cancer Institute. (2021). Breast Cancer PDQ- Health Professional Version. Disponível em: https://www.cancer.gov

Autor(a)

Andrea Cubero

Mastologista

Membro da Comissão de Tratamento Locorregional da SBM-SP