Qual o tempo ideal para realizar uma cirurgia eletiva após infecção por Sars-cov-2

À medida que aumenta o número de pessoas contaminadas pelo Sars-Cov-2 no mundo, será cada vez mais comum pacientes com história prévia de Covid-19 necessitarem de cirurgia.
Um estudo internacional, multicêntrico, de coorte, prospectivo, envolvendo mais de 140 mil pacientes submetidos a qualquer tipo de cirurgia e seguidos por mais de 7 semanas foi realizado em outubro de 2020 em 116 países e 1.674 hospitais. O tempo entre a data do diagnóstico de Sars-Cov-2 e o dia da cirurgia foi dividido em 4 categorias: 0 a 2 semanas; 3 a 4 semanas; 5 a 6 semanas; > 7 semanas.
O resultado primário avaliado foi a mortalidade pós-operatória em 30 dias, e o resultado secundário foi a incidência de complicações pulmonares em 30 dias (pneumonia, SARA e suporte ventilatório não esperado no pós-operatório). Foram coletadas diversas informações de cada paciente, como idade, sexo, estado físico ASA, risco cardiológico, presença de comorbidades respiratórias e complexidade/urgência cirúrgica.
Resultados
De 140.231 pacientes, 2.2% tiveram o diagnóstico de Sars-Cov2 no pré-operatório. A relação entre o tempo do diagnóstico até a data da cirurgia foi de:
– 0-2 semanas para 36.4% dos pacientes;
– 3-4 semanas para 14.7% dos pacientes;
– 5-6 semanas para 10.4% dos pacientes;
– e > 7 semanas para 38.4% dos pacientes.
Quando estratificada pelo tempo entre o diagnóstico e a data da cirurgia, a taxa de mortalidade em 30 dias foi de:
– 0-2 semanas: 9,1%;
– 3-4 semanas: 6,9%;
– 5-6 semanas: 5,5%;
– > 7 semanas: 2,0%;
– Não houve diferença estatística significativa entre pacientes > 7 semanas de infecção (2,0%) e paciente sem infecção pré-operatória por Sars-Cov-2: 1,4%.
Do total de pacientes acompanhados, 2,8% desenvolveram complicação pulmonar no pós-operatório nos primeiros 30 dias, incluindo:
– 1,7% para pneumonia;
– 0,8% para SARA.
Pacientes submetidos a cirurgia de 0-6 semanas após o diagnóstico de Sars-Cov-2 tiveram risco maior de complicações pulmonares no pós-operatório comparados aos pacientes sem infecção prévia. Entretanto, pacientes que tiveram sua cirurgia postergada por mais de 7 semanas após a infecção pelo Sars-Cov-2 tiveram taxas de complicações pulmonares similares àqueles sem infecção prévia.
Conclusão
Em resumo, o estudo observou que pacientes operados dentro das primeiras 6 semanas de diagnóstico pré-operatório de Sars-Cov-2 tinham maior risco de mortalidade e complicações pulmonares nos primeiros 30 dias de pós-operatório, enquanto aqueles com mais de 7 semanas de diagnóstico eram comparados aos pacientes sem infecção prévia pela Covid-19. Já os pacientes que permaneceram sintomáticos após 7 semanas de diagnóstico e foram submetidos a procedimento cirúrgico também tiveram uma taxa de mortalidade elevada. Esses pacientes poderiam se beneficiar de um maior atraso na marcação de suas cirurgias. Além disso, para procedimentos cirúrgicos de urgência, pacientes e cirurgiões devem decidir em conjunto o risco vs benefício de postergar a cirurgia.
RESUMO DE ARTIGO

Cirurgião Geral Residente do primeiro ano de mastologia pelo Hospital Guilherme Álvaro - Santos
Mastectomia no tratamento do Câncer de Mama

A palavra mastectomia se origina da palavra grega “mastos”, que significa mama.
Em 1894, William Hasteld descreveu a técnica de mastectomia radical que
consistia na retirada de toda a pele, complexo aréolo-papilar, glândula mamária,
músculos peitorais e linfonodos axilares, pois ele acreditava que quanto maior
fosse a cirurgia maior seria a chance de cura das pacientes, por isso essa
cirurgia permaneceu sendo o padrão ouro para o tratamento do câncer de mama por
muitos anos. Um dos estudo que permitiu o início da mudança do tratamento
regional para uma cirurgia menos mutiladora foi o NSABP-04, esse estudo
distribuiu aleatoriamente as pacientes com axila clinicamente negativa em
mastectomia radical, mastectomia simples com irradiação do campo axilar ou
mastectomia simples sem cirurgia axilar e dissecção axilar tardia somente se as
metástases axilares se desenvolvessem clinicamente. Ficou comprovado que a
sobrevida era a mesma em todos os grupos. O estudo italiano Milan 1 também
avaliou mastectomia à “Halsted” comparando-se com a quadrantectomia
identificando que o intervalo livre de doença foi semelhante em ambos grupos.
Além disso, com a evolução dos exames de rastreamento do câncer de mama,
atualmente os tumores são detectados mais precocemente e com o surgimento de
novos tratamentos sistêmicos, a cirurgia de mastectomia nos últimos anos sofreu
uma grande evolução, surgindo as mastectomias poupadoras de pele e de complexo
aréolo-papilar.
1) MASTECTOMIA RADICAL MODIFICADA

A incisão convencional consiste em um fuso horizontal (incisão de Stewart). O
procedimento inclui a remoção total da glândula mamária, com dissecção superior
até a borda inferior da clavícula, inferior até o sulco inframamário, medial até
a borda do esterno e lateral até o músculo grande dorsal. O limite posterior de
dissecção é a fáscia do músculo peitoral. • POR QUE REALIZAR A INCISÃO
TRANSVERSAL? Porque a incisão vertical apresenta maior taxa de necrose cutânea.
• E QUAL A ESPESSURA IDEAL DO RETALHO? A espessura do retalho deve resultar na
remoção de todo o parênquima mamário, com a preservação da gordura subcutânea e
da vascularização superficial, diminuindo consequentemente o risco de necrose.
Ele geralmente mede cerca de 5 mm. 2) MASTECTOMIA POUPADORA DE PELE =
SKIN-SPARING MASTECTOMY A técnica consiste na retirada de toda glândula e o
complexo aréolo-papilar, usando a pele que sobrou para fazer a reconstrução
mamária. Utiliza-se pequenas incisões ao redor do mamilo, como demonstrado na
figura abaixo:

a. Periareolar b. Periareolar elíptica c. Periareolar com extensão inferior d.
Periareolar com extensão lateral 3) MASTECTOMIA POUPADORA DE MAMILO E ARÉOLA =
NIPPLE-SPARING MASTECTOMY Nessa técnica além de poupar a pele, há também
preservação do complexo aréolo-papilar, esta técnica está se tornando cada vez
mais popular já que possui excelentes resultados cosméticos, além do tratamento
oncológico adequado. A figura abaixo mostra as principais incisões:

Mastologista do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher