Importância de uma Consulta Sobre Aleitamento Materno durante o Pré-Natal

O pré-natal é o momento ideal para iniciar o trabalho de preparação para o aleitamento materno, através da formação de grupos de gestantes e atendimento individual.
Saber sobre a importância da amamentação, pega correta, ordenha e cuidados com as mamas durante o pré natal é extremamente importante a fim de evitar diversas complicações durante um período tão instável emocional e fisicamente.
A mulher deve ser orientada sobre as mudanças que acontecerão no seu corpo e sobre como preparar as mamas para que haja uma diminuição nas interrupções do aleitamento decorrentes da falta de informação e preparo.
Caso o obstetra não fale sobre o tema, outros profissionais que têm experiência em aleitamento materno podem fazer esse aconselhamento, como o pediatra ou consultora.
Sugerimos que ao redor de 32 semanas de gestação você fique atenta e procure orientações.
O que Esperar da Amamentação?
A maternidade romantizada é uma concepção da sociedade e, como tal, impõe padrões irrealistas às mulheres que, se não alcançados, podem acarretar impactos à saúde mental da mulher. Quando o assunto é amamentação, precisamos romantizar menos e acolher mais. Durante a gestação e puerpério existe a ideia de que a mulher deva ser perfeita, dar conta de tudo, especialmente quando estamos falando do leite materno, que é o melhor alimento para o bebê, porém a partir do momento em que a amamentação envolve sofrimento da mãe ou bebê, deixa de ser benéfica.
Muitas mulheres “idealizam” a amamentação e se frustram ao se depararem com a realidade. Amamentar não é nada básico ou instintivo, e sim um processo que depende de tempo e de informação adequada, além de uma rede de apoio que a sustente durante esse período de aprendizagem.
Para amamentar é preciso muito mais que amor. É preciso disponibilidade física e emocional, doação do seu tempo e do seu corpo. É preciso estar informada para não ser desequilibrada pela cultura do desmame e para se manter segura e confiante diante de tantos mitos e palpites alheios. É preciso muita paciência, porque amamentar é um aprendizado mútuo da mãe e do bebê. Uma rede de apoio com parceiros e parceiras, família e profissionais têm um papel fundamental nessa tarefa.
Direito de não Amamentar
Todas as mães têm o direito de amamentar seus filhos. No trabalho, em casa e até quando estão privadas de liberdade, elas têm direito a alimentar o seu filho no peito.
Entretanto, pode existir o desejo da não amamentação. Diversos motivos podem levar uma mulher a sequer tentar amamentar. Seja qual for, ela não deve ser julgada por isso.
A decisão deve ser respeitada, mas é bom que ela seja tomada com consciência das consequências e motivos por trás da escolha. Infelizmente, a sociedade dita muitas regras, como o tempo entre as mamadas, o leite é fraco ou forte, e isso tem um grande impacto na decisão da mulher sobre amamentar ou não.
Importância do Exame Físico
(Avaliação dos Mamilos, Cicatrizes Prévias, História Clínica Pregressa)
O exame das mamas deve fazer parte da rotina de atendimento às gestantes e nutrizes O profissional deve ensiná-las a conhecer suas mamas.
Durante o exame físico deve-se observar se existe insegurança, resistência à amamentação e anormalidades anatômicas a fim de prevenir o desmame precoce.
Mamilos planos ou invertidos, hipoplasia mamária, obesidade, diabetes gestacional , doenças da tireoide são fatores de risco primários para o desmame precoce. As cirurgias mamárias, como por exemplo , mamoplastia redutora, também têm sido elencadas como uma das causas associadas à interrupção precoce da amamentação pois podem alterar a integridade e funcionamento da mama, dependendo da técnica cirúrgica utilizada. O manejo precoce dessas e de outras intercorrências minimiza riscos de um possível desmame precoce.
Mastologista e Membro da Comissão de Aleitamento Materno da SBM Regional São Paulo
Enxoval da Amamentação

O enxoval da amamentação não é obrigatório, mas algumas peças ajudam no sucesso
do aleitamento materno.
– Boa consultora de amamentação e pediatras pró amamentação: profissionais especializados que possam auxiliar nesse momento;
– Sutiã de amamentação: Os sutiãs da lactante devem ser confortáveis e permitir que a pele respire (preferir os de algodão, sem aro ou bojo, boa sustentação e sem tecido na
sua porção frontal evitando garrotear o fluxo de leite);
– Rosquinhas de amamentação: protege o mamilo do atrito com o sutiã ajudando na cicatrização de fissuras
Outros itens que podem ser adquiridos:
– Almofada de amamentação: pode ajudar a manter uma boa postura e a não sentir dores nos braços e nas costas;
– Sling: é um acessório que dá liberdade à mãe, ao mesmo tempo que traz aconchego para o bebê;
As chupetas, mamadeiras, intermediários de silicones ou outros bicos artificiais não fazem parte do enxoval e podem ser fatores que colaboram para redução na produção de leite e desmame precoce. Podemos utilizar colher dosadora ou copinho para oferecer leite ao bebê.
A Bomba de Leite elétrica pode ser alugada ou comprada caso a paciente não goste de fazer ordenha manual. É fundamental o tamanho adequado do acoplador para evitar lesões mamárias. As bombas manuais não são recomendadas. Os saquinhos ou potes para armazenamento de leite também podem ser adquiridos para estoque de leite materno, nos casos de retorno ao trabalho ou ausência da mãe em períodos específicos.
EVITAR: conchas de amamentação, absorventes para amamentação, bicos, mamadeiras e pomadas sem indicação médica.
Mastologista e Membro da Comissão de Aleitamento Materno da SBM Regional São Paulo
Biópsias

O uso dos exames de imagem como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética no rastreamento do câncer de mama tem resultado em maior detecção de lesões não palpáveis e clinicamente ocultas da mama. Apesar dessas técnicas estarem sendo aperfeiçoadas cada vez mais com o passar do tempo na tecnologia da aquisição das imagens, muitas vezes, são necessárias amostras de tecido para um diagnóstico definitivo.
São diversas maneiras possíveis de biópsias, cada uma com suas particularidades e indicações.
1) PAAF – Punção aspirativa por agulha fina
Técnica rápida, barata e bem tolerada pelas pacientes, porém o método apresenta limitações como alta frequência de amostras insuficientes (cerca 2% a 35%), falso-positivos e baixa precisão quando comparada a biópsia por agulha grossa ou excisão cirúrgica. Além disso, a distinção entre carcinoma in situ e carcinoma invasor é limitada, bem como determinar o estado dos receptores. Sua sensibilidade varia entre 68% e 100% e especificidade entre 82% e 100%.
A PAAF é mais comumente utilizada para coleta de amostras de linfonodos axilares ou de lesões inacessíveis à biópsia por agulha grossa como lesões superficiais ou que fazem contato com a parede torácica. Pode também ser utilizada para punção de alívio em cistos simples e complicados e na diferenciação entre massa sólida e cisto complicado quando a ultrassonografia não consegue fazer essa distinção. Caso não seja resolvido inteiramente pela aspiração, converter o procedimento para agulha grossa, devido a maior precisão.
2) Biópsia com Agulha Grossa ou “Core Biopsy”
Método preciso de coleta de amostras que fornece fragmentos de tecidos para análise histopatológica de anormalidades detectadas por imagem. Os resultados são comparáveis às amostras cirúrgicas, com fragmentos adequados em 99% das vezes e sensibilidade superior a 90%.
Pode ser realizada por orientação estereotáxica ou por ultrassonografia. A biópsia estereotáxica é mais comumente utilizada para avaliação histológica de calcificações mamográficas, mas também pode ser feita em massas vistas apenas na mamografia, em assimetrias ou distorções em que não haja correlação ultrassonográfica. A biópsia percutânea guiada por ultrassonografia é preferível na obtenção de fragmentos de toda e qualquer lesão que se evidencie à ultrassonografia. É mais rápida, mais confortável para a paciente e permite maior acesso a lesões mais posteriores e mediais da mama. Os fragmentos são obtidos de forma mais consistente já que a agulha é vista no alvo em tempo real pelo examinador.
Importante frisar que alguns diagnósticos realizados por “core biopsy” necessitam de ampliação cirúrgica devido ao risco de subestimação do resultado em cerca de 30%. São eles: carcinoma ductal in situ e hiperplasia atípica. A cicatriz radiada e papilomas devem, na maioria das vezes, serem excisados.
3) “Mamotomia” ou biópsia assistida à vácuo
Dispositivos que melhoram a precisão diagnóstica em comparação ao dispositivo automatizado e são utilizados rotineiramente em biópsias percutâneas estereotáxicas. Possibilita a retirada de fragmentos de tecido através de uma única punção e lesões de até 1,5 cm podem ser completamente excisadas. Pode ser também guiado por ultrassonografia e ressonância magnética.
São mais rápidos e mais precisos devido ao maior tamanho dos espécimes e a obtenção de fragmentos contíguos.
Considerações:
• Calibre da Agulha
O calibre da agulha de biópsia é um fator importante a ser considerado ao se realizar biópsias com agulha grossa percutâneas. Devem ser realizadas utilizando-se uma agulha calibre 14 ou maior, devido à maior precisão em comparação às agulhas calibre 16 ou 18.
• Colocação do Clipe
Deve ser colocado de rotina um clipe localizador durante quase todas as biópsias percutâneas, principalmente em lesões sutis ou naquelas que não são mais aparentes após a realização do procedimento. Uma mamografia pós biópsia deve ser feita para documentar a inserção e a posição do clipe em relação a localização esperada da lesão-alvo.
Complicações:
Não são frequentes, sendo o sangramento a complicação mais comum apresentado em até 3% dos casos de biópsias assistidas a vácuo com agulha calibre 11. Os raros casos de hematomas clinicamente significativos podem ser tratados conservadoramente. Infecções também podem ocorrer e são raras.
Grupo Intermédica - Mastologista do Hospital Renascença Campinas
Desempenho da tomossíntese digital da mama
A mamografia digital (MD) tem baixa sensibilidade e especificidade em mulheres com tecido mamário denso, já que esse pode obscurecer algumas lesões. Existe a expectativa de que a tomossíntese (TS) reduza ou elimine esse problema de sobreposição do tecido, já que a aquisição da imagem ocorre de forma tridimensional, conseguindo assim uma melhor representatividade e diferenciação entre as lesões benignas e malignas.
Esse estudo avalia o valor da TS na classificação do BI-RADS nas lesões mamárias indeterminadas (BIRADS 0, 3 e 4) após a MD como abordagem inicial. Além disso, foi realizada uma comparação simples entre TS e MD.

Desenho e população do estudo

Análise das Imagens:






Mastologista do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher