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Carcinoma Ductal In Situ

Atualizado em 24/04/2020

O carcinoma ductal in situ (CDIS), também conhecido como carcinoma intraductal, é uma forma inicial de neoplasia em que as suas células malignas não invadem a membrana basal, ou seja, a diferença entre o carcinoma invasivo é que as suas células não se disseminam através dos ductos, veias, linfáticos e portanto não dão metástases, podendo ser considerado como um pré carcinoma. Porém, possuem potencial de transformar-se em carcinoma invasor (Fig. 1).



Com a melhora dos exames de imagem e aumento a difusão do rastreamento mamográfico, a incidência do CIDS aumentou. Antigamente, eram considerados raros, atualmente eles correspondem de 10 a 30% dos casos de câncer de mama tratados nos serviços de mastologia.


Podem ser classificados de acordo com o seu grau histológico em baixo, intermediário e alto grau, essa classificação está relacionada ao índice de proliferação. O CDIS de baixo grau não obstrui completamente o ducto, já o CDIS de alto grau geralmente obstrui a luz ductal, com necrose da porção central e apresenta continuidade da lesão (Fig. 2).



Estima-se que 14 a 46% dos casos de CIDS evoluam para lesão invasiva em 10 anos se não forem tratados e é por isso a importância do diagnóstico e tratamento adequado.

Normalmente, o CDIS não apresenta sintomas, se apresentando na grande maioria das vezes na mamografia como microcalcificações suspeitas (BI-RADSR 4). O diagnóstico é confirmado como biópsia, seja ela realizada através da biópsia vácuo assistida por estereotaxia ou setorectomia diagnóstica guiada por fio guia metálico. Mas, lembre-se que existe o risco de subestimação de lesão invasiva em até 20% dos casos, os principais fatores que influenciam nessa taxa de subestimação é a presença de comedonecrose, lesões com alto grau histológico, lesões palpáveis e microcalcificações extensas.


Após o diagnóstico o tratamento inicial deve ser a cirurgia, podendo ser a setorectomia ou a mastectomia, dependendo da extensão da lesão, sendo necessária a presença de margens livres. No CDIS consideramos como margens livres quando ela é de pelo menos 2 mm, já que margens comprometidas é um forte fator para recidiva. A biópsia do linfonodo sentinela tem indicação excepcional principalmente quando for realizada a mastectomia.As pacientes que foram submetidas a cirurgia conservadora devem realizar radioterapia adjuvante, pois os estudos mostram que as paciente submetidas a radioterapia a recorrência foi de aproximadamente 50 % menor em relação ao grupo que não realizou. E no grupo da recidiva essa ocorreu na forma de carcinoma invasor.


Além disso, a quimioterapia não está indicada sendo a hormonioterapia com tamoxifeno ou inibidores da enzima aromatase os únicos tratamento sistêmico preconizado para o CDIS.

Dra. Andressa Gonçalves Amorim
Mastologista do Hospital Pérola Byington – Centro de Referência da Saúde da Mulher

Sub-Investigadora do Centro de Pesquisa Clínica do Hospital Pérola Byington